quarta-feira, 27 de junho de 2007

Lorca



O poeta pede a seu amor que lhe escreva

Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.
Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de mordiscos e açucenas.
Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

The Smiths

"What she asked of me, at the end of the day; Caligula would have blushed"

As vezes nos submetemos à desejos e imposições que ferem a nossa moralidade, apenas por julgarmos que, antes de mais nada, precisamos manter a máquina louca da sociedade funcionando plenamente e a recompensa disso é a certeza do salário no final do mês, ainda que atrase. Convivemos com verdadeiros monstros que carregam plastificados nos lábios um sorriso cujo significado o próprio dono ignora. Percebemos as atrocidades, ainda que nos julguem idiotas, mas cumprimos o papel de mero observador dos fatos. Pois o Grand Finale chega pra todos nós, e cada um que colha os frutos de sua semeadura. Assim quando oferecerem a você uma proposta tenebrosa sem, nem mesmo, um corar de faces, siga seu sentimento, mate o condicionamento e haja como um SER HUMANO. Permitindo aos outros, livre, que se comportem como queiram, ainda que o comportamento esteja mais próximo dos MACACOS... Com todo respeito aos MACACOS! ;^)

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Sabedoria Antiga



Saber viver é uma necessidade para aqueles que simplesmente desejam ter ao seu redor um vasto campo de felicidade. O saber viver está afeito ao tipo de óculos que usamos, e a felicidade a uma enorme capacidade de aprofundar em si mesmo. Sim! Porque a felicidade está dentro de cada um, na realidade, e não fora nos estímulos, na sensorialidade. Precisamos aprender a escolher usar o óculos da compreensão, da benevolência, enfim do Amar. Porque a felicidade que nos vem dentro está afeita ao resultado do uso do óculos. Quando temos pleno controle deste uso caem os espinhos por terra e o perfume das rosas, na vida, torna-se uma consequência inevitável. Por isso reflitamos sobre:

"Com as pedras que me atiram, construirei o meu templo de sabedoria".

Parecido com Pessoa, né? Mas como o cara era iniciado, então sabe-se de onde vem o poema anterior...

domingo, 20 de maio de 2007

Pessoa

"Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
Fernando Pessoa

http://www.casafernandopessoa.com/

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Diversidade, Igualdade e Estética.



A roupa nova do Rei

Um bandido, se fazendo passar por um alfaiate de terras distantes, diz a um determinado rei que poderia fazer uma roupa muito bonita e cara, mas que apenas as pessoas mais inteligentes e astutas poderiam vê-la. O rei, muito vaidoso, gostou da proposta e pediu ao bandido que fizesse uma roupa dessas para ele.
O bandido recebeu vários baús cheios de riquezas, rolos de linha de ouro, seda
e outros materiais raros e exóticos, exigidos por ele para a confecção das roupas. Ele guardou todos os tesouros e ficou em seu tear, fingindo tecer fios invisíveis, que todas as pessoas alegavam ver, para não parecerem estúpidas.
Até que um dia, o rei se cansou de esperar, e ele e seus ministros quiseram ver o progresso do suposto "alfaiate". Quando o falso tecelão mostrou a mesa de trabalho vazia, o rei exclamou: "Que lindas vestes! Você fez um trabalho magnífico!", embora não visse nada além de uma simples mesa, pois dizer que nada via seria admitir na frente de seus súditos que não tinha a capacidade necessária para ser rei. Os nobres ao redor soltaram falsos suspiros de admiração pelo trabalho do bandido, nenhum deles querendo que achassem que era incompetente ou incapaz. O bandido garantiu que as roupas logo estariam completas, e o rei resolveu marcar uma grande parada na cidade para que ele exibisse as vestes especiais. A única pessoa a desmascarar a farsa foi uma criança que gritou para a vergonha do rei: - O rei está nu!


Desgraçada da sociedade que abre mão de sua experiência particular, seja estética ou da vida prática, sem refletir e analisar para compreender, em prol de viver alimentado por uma aparência externa efêmera, periférica e sem profundidade. Pobre e sem significação é o ser humano que vive desta aparência externa, periférica e sem profundidade. Pois a grande felicidade da igualdade está no ser diverso, mas sem mímica, sem imitação, sem concordância estúpida e sobretudo, sem fingimento. Isso porque é possívela achar que se é diverso, não sendo quem se é. A diversidade se torna a mais perfeita igualdade quando dela parte a compreensão daquilo que te faz diverso... Aqui se estabelece a igualdade na diversidade, a semelhança na essência. A única que importa, a única que vem bela desde as profundezas do ser. Estar atento a isso é viver esteticamente, viver por aquilo que há de mais belo em si mesmo... que é o: Você mesmo!

O valor da estética pela estética está em se perceber o porquê pelo qual gostamos ou não de algo. Diante de uma obra de arte é fácil expressar se você é livre como a criança do conto de Hans Christian Andersen, e expressa aquilo que verdadeiramente sente. Mas se o indivíduo usa sua experiência estética como instrumento libertador dos paradigmas impostos, se percebe a vida como a criança d'A roupa nova do rei', está longe de ser periférico. Pois se acho lindos os túmulos ricamente decorados com pedras finas; terei eu força, coragem e sensibilidade de olhar o conteúdo putrefato destas belezas revestidas a mármore e granito?

Aquela criança permite a Diversidade estabelecer a Igualdade... E esta, infalivelmente, se expressar em Estética no expressar-se para com os outros, e principalmente para a parte mais importante nesta relação de diversidade, igualdade e estética: O próprio indivíduo atuante. Que é 'sendo' a todo momento. ;^*



Ilustração: Stetsenko Kseniya: O rei nu. Óleo sobre tela.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.


Sempre... Vinícius de Moraes
 

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